
Por que viver sem limites faz mal?
Por que aprendemos que estabelecer limites é, mais do que saudável ou correto, necessário para a vida funcionar?
Alguém conhece o limite do amor?
Alguém conhece o limite da compreesão?
Alguém saberia me dizer qual é o limite do respeito, da cumplicidade, da mentira, da ganância, do medo, da alegria, o limite das amizades, da lealdade, da esperança e o limite da paciência?
Será que os limites servem apenas para, ao menos teoricamente, mudar nossa estratégia, chacoalhar nossa vontade e inverter seu sentido, justificar nossa incompetência ou nossa falta de disposição para transformar o espetáculo sem trocar os atores?
E por que sempre que nos aproximamos do limite o coração dói, e tanto?
Ou será tudo o contrário?
Talvez limites sejam oportunidades genuínas de sublimação.
Temos tão pouca habilidade para tomar decisões que precisamos inventar limites para curar nossa deficiência de decidir espontaneamente?
Será que os limites são todos como o do cansaço, que de repente nos rouba o direito de escolher e apenas nos transporta para o sono, nos mostrando que o controle é falho? Já que o controle é falho, por que então os limites são essenciais?
Suspeito que é tanto o medo da dor que fingimos poder afastá-la quando o coração aperta e sangra, porque senão não teríamos coragem nem para dar o primeiro passo.
Escrito por danitaloureiro